WILL: Follow The Light é exatamente o tipo de jogo que gosto de ver existindo na indústria. Não porque seja revolucionário ou porque entregue uma experiência impecável do começo ao fim, mas porque é claramente um projeto feito com identidade, intenção e personalidade.
Em uma época em que grande parte da indústria parece focada em repetir fórmulas já estabelecidas, criar experiências infinitas no formato live service ou transformar tudo em jogos gigantescos recheados de conteúdo artificial, títulos menores e mais autorais acabam se destacando justamente pela sinceridade da proposta. E WILL: Follow The Light tem muito disso.
Uma narrativa focada em solidão
A história acompanha Will, um faroleiro isolado em uma região congelada que recebe a notícia de que seu filho desapareceu após um desastre.

A partir daí, o jogo constrói uma jornada profundamente melancólica, abordando temas como solidão, luto, culpa e reconexão familiar. O foco narrativo não está em grandes reviravoltas ou momentos explosivos, mas sim na atmosfera e na forma como o jogador absorve aquele mundo silencioso e hostil.
É justamente a ambientação que sustenta boa parte da experiência. Os cenários congelados, o mar aberto, as tempestades e os longos momentos de silêncio criam uma sensação constante de isolamento. Existe algo quase contemplativo em navegar lentamente por aquele vazio enquanto o jogo permite que você simplesmente exista naquele universo.
Em muitos momentos, WILL: Follow The Light funciona mais pelo sentimento que transmite do que necessariamente pela gameplay em si.
Navegação é onde o jogo encontra sua identidade
A navegação é facilmente o aspecto mais interessante da experiência. Controlar o barco manualmente, lidar com as condições climáticas e atravessar ambientes perigosos cria alguns dos momentos mais imersivos do jogo. Existe um cuidado muito grande na maneira como WILL: Follow The Light constrói essa sensação de travessia solitária.
É um tipo de gameplay mais lento, contemplativo e imersivo que certamente não vai funcionar para todo mundo, mas que consegue encontrar uma identidade própria quando acerta.

O ritmo nem sempre funciona
O problema é que o jogo depende demais desse ritmo para sustentar toda a jornada. Existe uma linha muito fina entre o contemplativo e o cansativo, e WILL: Follow The Light ultrapassa essa linha algumas vezes.
Em vários momentos, o ritmo desacelera mais do que deveria, especialmente em trechos de:
- exploração longa demais
- caminhadas excessivas
- objetivos pouco interessantes
- falta de variedade nas atividades
Há capítulos inteiros em que a sensação é de que o jogo está apenas prolongando sua duração sem realmente desenvolver algo relevante em termos narrativos ou mecânicos.
Os puzzles também acabam contribuindo para essa inconsistência. Alguns funcionam muito bem dentro da proposta do jogo e ajudam a reforçar a imersão e a atmosfera. Outros, porém, parecem existir apenas para interromper o fluxo da narrativa.
Falta consistência no design desses momentos, e isso impacta diretamente o pacing da experiência.

Existem capítulos emocionalmente fortes e muito bem construídos, enquanto outros parecem simplesmente se arrastar sem necessidade.
Ainda assim, existe muito valor aqui
Mesmo com seus problemas, é difícil não enxergar valor no que WILL: Follow The Light tenta fazer.
Existe algo muito sincero no projeto. Dá para perceber claramente que o estúdio tinha uma visão específica do que queria transmitir:
- isolamento
- silêncio
- melancolia
- humanidade
Talvez justamente por ser um projeto menor e bastante autoral, falte refinamento em vários aspectos técnicos e estruturais. Ainda assim, existe personalidade aqui — algo que muitos jogos maiores e muito mais caros simplesmente não conseguem oferecer.

Vale a pena?
WILL: Follow The Light não é um jogo para todo mundo. Ele é lento, às vezes cansativo e claramente poderia ser mais polido. Mas também é um daqueles jogos que lembram por que experiências menores e mais pessoais ainda são importantes para a indústria.
Tem falhas, momentos arrastados e problemas claros de ritmo, mas também tem coração.
E honestamente, prefiro muito mais um jogo imperfeito com personalidade do que mais uma experiência gigantesca que parece feita sem qualquer identidade própria.

- Ambientação extremamente imersiva e melancólica;
- Navegação marítima lenta e contemplativa funciona muito bem;
- Forte identidade autoral e personalidade própria.
WILL: Follow The Light já está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series S/X.
Este review só foi possível graças ao envio de uma chave de acesso fornecida pela assessoria, a quem agradecemos pela oportunidade.