GRIME II é o tipo de sequência que claramente tenta crescer em praticamente todos os aspectos: mais sistemas, mais possibilidades de build, maior complexidade no combate e um mundo ainda mais estranho e artístico.

A primeira impressão é positiva — e bastante. No entanto, conforme o jogador avança, fica evidente que essa ambição cobra um preço, especialmente para quem, como foi o meu caso, não teve contato com o primeiro jogo.

A pergunta que fica é: valeu a espera?
A resposta mais honesta é: depende muito do que você procura.

Se a expectativa era por algo mais refinado e acessível, provavelmente não. Por outro lado, se a ideia era encontrar um jogo mais denso, técnico e exigente, há bastante conteúdo interessante aqui.

Não é a melhor porta de entrada

É possível jogar GRIME II sem ter jogado o primeiro título. Porém, o jogo claramente não faz esforço para introduzir novos jogadores ao seu universo e às suas mecânicas.

Desde o início, vários sistemas já estão ativos, com poucas explicações e uma curva de aprendizado relativamente brusca. Não chega a ser inacessível, mas também não tenta facilitar a adaptação.

Na prática, é aquele tipo de experiência em que o jogador aprende mais na tentativa e erro do que por meio de tutoriais.

Combate mais profundo… e também mais travado

O combate é o coração do jogo — e, ao mesmo tempo, um dos elementos mais divisivos.

Ele é mais técnico do que o padrão visto em muitos metroidvanias:

  • o parry é essencial,
  • o timing precisa ser bastante preciso,
  • e os inimigos punem erros com força.

Além disso, o sistema de absorver inimigos e montar builds a partir disso é uma das ideias mais interessantes do jogo, trazendo variedade e possibilidades estratégicas.

O problema é que nem sempre essa mecânica funciona com fluidez. Em alguns momentos:

  • inimigos parecem ter vida demais,
  • o ritmo do combate fica mais lento do que deveria,
  • e o impacto das lutas diminui, transformando confrontos em um desgaste prolongado.

É um caso clássico de um sistema com boas ideias, mas que poderia ter recebido um refinamento maior.

Mundo e identidade continuam sendo o ponto alto

Se há um aspecto em que o jogo se destaca com consistência, é na direção artística.

O mundo apresentado é estranho, orgânico e desconfortável — características que funcionam muito bem dentro da proposta do jogo. Ele tem personalidade própria, algo que falta até mesmo em produções maiores.

Mesmo para quem não conhece o primeiro título, é possível perceber que existe uma identidade forte por trás da construção desse universo.

Mais sistemas, mais ambição… e mais fricção

GRIME II expande praticamente tudo:

  • mais mecânicas,
  • mais formas de interação,
  • mais possibilidades de build.

Por outro lado, essa expansão também torna a experiência mais densa e menos direta.

Não é aquele metroidvania em que o jogador simplesmente entra no fluxo da exploração. Aqui, é preciso parar, entender sistemas, testar estratégias e lidar com erros constantes.

Para alguns jogadores, isso é exatamente o charme do jogo. Para outros, pode funcionar como uma barreira.

Conclusão

No fim das contas, GRIME II definitivamente não é um jogo ruim — longe disso. No entanto, também não é um título fácil de recomendar de forma universal.

Ele apresenta ideias interessantes, uma identidade visual marcante e sistemas profundos. Porém, acaba tropeçando em aspectos como fluidez, ritmo e acessibilidade.

Para quem gosta de jogos mais técnicos e exigentes, pode ser uma ótima experiência. Já para quem esperava algo mais equilibrado e acessível, a jornada pode acabar sendo cansativa.

  • Direção artística marcante e cheia de identidade.
  • Sistema de builds
  • Proposta mais técnica e desafiadora

Grime II já está disponível para PlayStation 5, Xbox Series S/X e PC.

Este review só foi possível graças ao envio de uma chave de acesso fornecida pela assessoria, a quem agradecemos pela oportunidade.