Aphelion é mais um projeto da Don’t Nod que reforça a identidade do estúdio: experiências focadas em narrativa, personagens e emoção. Ambientado em um planeta congelado e hostil, o jogo aposta em uma história íntima e contida para envolver o jogador. No entanto, ao mesmo tempo em que acerta no aspecto emocional, também expõe limitações claras em sua estrutura e no desenvolvimento do gameplay.

Uma história simples, mas eficiente

A premissa é direta: dois astronautas, Ariane e Thomas, caem em um planeta congelado e precisam sobreviver enquanto tentam se reencontrar. É uma narrativa curta e sem grandes complexidades, mas que cumpre bem sua proposta.

O destaque está na relação entre os protagonistas. Há um cuidado evidente na construção desse vínculo, tanto nos diálogos quanto nos momentos mais silenciosos. É uma abordagem mais contida e humana — uma marca já conhecida do estúdio — e que segue sendo o principal charme aqui.

Ambientação e trilha sustentam a experiência

O cenário contribui muito para a imersão. O planeta é frio, isolado e constantemente ameaçador, reforçando a sensação de solidão ao longo de toda a jornada.

A trilha sonora acompanha esse tom com eficiência. Não busca protagonismo, mas cumpre bem seu papel ao criar atmosfera e dar peso emocional nos momentos certos.

Gameplay simples — e repetitivo

É aqui que surgem os principais problemas.

A estrutura é bastante clara:

  • capítulos lineares
  • exploração de cenários
  • momentos de stealth

O jogador avança por áreas fechadas, interage com elementos do ambiente e segue a narrativa. Há pouca liberdade e quase nenhuma variação mecânica.

Os momentos mais interessantes envolvem o Nemesis, uma entidade alienígena que patrulha o cenário e reage ao som. Essas sequências trazem tensão real, mas não evoluem significativamente ao longo do jogo. Depois de algumas horas, a sensação é de repetição.

Linearidade e falta de profundidade

Ser linear não é, por si só, um problema. O ponto crítico aqui é a falta de profundidade nas mecânicas.

Com exploração básica e stealth limitado, o jogo depende quase totalmente da narrativa para se sustentar. Quando a história não está em um de seus momentos mais fortes, o ritmo da experiência acaba sendo prejudicado.

O “toque Dont Nod” permanece

Apesar das limitações, a identidade do estúdio está presente o tempo todo:

  • foco nos personagens
  • diálogos mais pessoais
  • uso de silêncio como recurso narrativo

Esse conjunto é o que mantém o jogo envolvente. Para quem já aprecia os trabalhos da Dont Nod, há uma conexão quase imediata.

Conclusão

Aphelion acerta no aspecto emocional, com uma boa construção de personagens, ambientação sólida e trilha eficiente. No entanto, não consegue acompanhar esse nível quando se trata de gameplay.

A linearidade, a repetição e a falta de profundidade mecânica impedem que o jogo alcance algo maior. Ainda assim, é uma experiência válida — especialmente para quem valoriza narrativas acima de sistemas complexos.

  • Narrativa íntima e bem construída entre os protagonistas;
  • Ambientação e trilha que reforçam a imersão;
  • Gameplay repetitivo com pouca profundidade.

Aphelion já está disponível para PC, PS5 e Xbox Series S/X (Game Pass).

Este review só foi possível graças ao envio de uma chave de acesso fornecida pela assessoria, a quem agradecemos pela oportunidade.