Nos dias de hoje, é quase impossível um estúdio conseguir reconquistar o público — ou pior ainda, conseguir mostrar seu potencial após alguns projetos medíocres. Isso acontece, em parte, por conta dos orçamentos cada vez mais altos na indústria dos jogos, além da enorme quantidade de títulos disponíveis para os jogadores.

Mas, com muita resiliência, a desenvolvedora polonesa Bloober Team conseguiu esse feito. Primeiro, deu o pontapé inicial com o remake de Silent Hill 2, e agora coroou sua reviravolta com o novo jogo de terror: Cronos: The New Dawn.

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Desde seu inesperado anúncio, Cronos chamou minha atenção — muito por conta da curiosidade que eu tinha com o estúdio após seu trabalho com a franquia da Konami. No entanto, eu queria ver do que a Bloober era realmente capaz em um projeto próprio, já que, na minha opinião, seus jogos anteriores sempre ficaram no medíocre.

A cada novo trailer, Cronos prendia ainda mais minha atenção, especialmente por mostrar uma fortíssima inspiração em Dead Space, além de apresentar uma identidade visual muito única.

Após 17 horas de jogo, posso dizer com segurança: fiquei com um sentimento extremamente positivo. Cronos: The New Dawn se tornou a maior surpresa que tive com jogos neste ano.

Uma narrativa envolvente

Você controla a Viajante, uma cosmonauta com uma missão clara: colher informações em um mundo destruído e carregá-las em uma máquina que funciona como um servidor. Para isso, ela utiliza um aparelho capaz de extrair a essência — ou seja, retirar da pessoa todo o conhecimento que ela possui.

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A história se passa em Nova Alvorada, uma cidade destruída por um vírus que transformou os habitantes em monstros agressivos e irracionais. Mas, se o mundo está destruído, como ainda encontramos pessoas vivas nele?

É aí que Cronos começa a mostrar seu verdadeiro potencial. O jogador precisa encontrar fendas temporais espalhadas pelo mapa. Através delas, somos transportados ao passado — momentos antes do colapso da civilização.

No passado, você deve caçar determinados alvos que, segundo a entidade chamada Coletivo (à qual a Viajante pertence), possuem conhecimentos essenciais para desenvolver um método de impedir que o caos aconteça.

Toda a premissa de Cronos é muito criativa. Embora trabalhe com um tema já conhecido, o jogo consegue criar uma atmosfera envolvente que prende a atenção do jogador durante toda a jornada.

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Mesmo achando que o jogo mira mais alto do que realmente acerta, com uma premissa mais interessante do que suas soluções, ainda assim gostei bastante da história — e me surpreendi com algumas reviravoltas, especialmente uma cena pós-créditos bastante impactante.

Equilíbrio entre ação e terror

Um dos pontos que mais me surpreenderam em Cronos foi o gameplay. A Bloober Team nunca foi conhecida por criar mecânicas de jogo sólidas — mas fico feliz em dizer que aqui eles acertaram a mão.

O jogo apresenta um equilíbrio perfeito entre ação intensa e momentos de calma e falsa paz. Os combates funcionam em um sistema de “ondas”, onde você fica preso em uma área e precisa eliminar todos os inimigos.

O diferencial está na ameaça constante: não apenas os inimigos vivos representam perigo, mas também os mortos. Os monstros podem se fundir — inclusive corpos mortos com vivos — para criar versões mais poderosas, o que exige atenção constante e decisões rápidas.

Além disso, o jogo te mantém sempre com recursos escassos. Você raramente ficará sem nada, mas também quase nunca terá muito — o que obriga o jogador a ser preciso nos tiros, o que contribui com a tensão e a atmosfera de horror.

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O ritmo também é bem dosado. O combate é alternado com exploração, desafios de plataforma e momentos de contemplação. Em alguns trechos, você pode passar até 20 minutos sem enfrentar um único inimigo — mas o jogo é inteligente o bastante para te deixar sempre na dúvida: “quando vai acontecer o próximo susto?”.

Ótima performance no PlayStation

Joguei Cronos: The New Dawn no PlayStation, então essa parte se refere especificamente à versão do console.

Fico feliz em dizer que o jogo está muito bem polido. Não enfrentei quedas de frame, bugs de progressão ou glitches graves. O único problema que notei foram pequenos travamentos durante o salvamento automático — algo leve, que não atrapalha a experiência e provavelmente será corrigido em futuros patches.

Outro ponto positivo: o jogo está muito bem localizado em português. Isso é essencial, já que há muitos documentos e textos para ler — alguns deles bem impactantes — e a tradução está clara, coerente e fácil de entender.

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Uma nova IP promissora

Por fim, quero destacar o valor de uma nova propriedade intelectual. Cronos: The New Dawn é uma franquia com grande potencial. Não sei se haverá continuações, mas o fato de ser uma ideia original já chama atenção em uma indústria onde tantas desenvolvedoras preferem “jogar no seguro”.

Apesar de não ter tido tanta visibilidade por ter sido lançado próximo a grandes nomes como Hollow Knight: Silksong (um dos jogos mais esperados da história), acredito que Cronos vai conquistar seu espaço com o tempo — principalmente pelo boca a boca positivo que tem gerado.

Se você gosta de jogos de terror, não tenho receio nenhum em recomendar:
Jogue Cronos: The New Dawn!