Após mais de 25 anos desde o lançamento do clássico Diablo II, a Blizzard Entertainment revisita aquele que é considerado por muitos a base de todos os aRPGs modernos. Com Diablo II: Resurrected, o estúdio trouxe de volta um dos jogos mais influentes da história — agora acompanhado da expansão Reign of the Warlock.

Graças à Blizzard Brasil, tivemos acesso ao jogo com sua nova expansão, permitindo revisitar Santuário sob uma nova perspectiva.

O legado de Diablo II

Falar de Diablo II é falar da consolidação do gênero action RPG. Jogadores acostumados com títulos como Path of Exile e Last Epoch rapidamente percebem o quanto essas experiências beberam diretamente da fonte criada pela Blizzard no ano 2000.

O sistema de:

  • Progressão baseada em atributos
  • Árvores de habilidades profundas
  • Itens com raridades variadas
  • Runas e palavras rúnicas
  • Endgame focado em farm e otimização

Atmosfera e narrativa

A franquia Diablo sempre foi riquíssima em lore, mas é em Diablo II que o universo realmente se expande. Somos apresentados com maior profundidade aos Males Primordiais — Mephisto e Baal — além do próprio Diablo.

O jogo se inicia com uma cutscene impressionante protagonizada por Marius, um personagem trágico que peregrina ao lado do misterioso Viajante Sombrio. Ao final de cada ato, novas cenas cinematográficas aprofundam os acontecimentos, elevando o peso dramático da jornada.

O remaster elevou significativamente a qualidade visual:

  • Modelos 3D completamente refeitos
  • Iluminação dinâmica
  • Cutscenes recriadas com fidelidade cinematográfica
  • Alternância instantânea entre o visual clássico e o remasterizado

Cada ato apresenta um bioma marcante:

  • As planícies góticas de Tristram
  • O deserto árido de Lut Gholein
  • As selvas densas de Kurast
  • As regiões infernais
  • As montanhas geladas do Ato V

Não há sensação de repetição — cada região possui identidade própria, inimigos únicos e trilha sonora específica.

Personagens e NPCs memoráveis

Um dos grandes destaques é o retorno de Deckard Cain, o último dos Horadrim. Seu carisma e importância narrativa continuam intactos, guiando o jogador ao longo da campanha, identificando itens e contextualizando os eventos de Santuário.

Os NPCs em geral possuem personalidade forte e diálogos marcantes, reforçando o clima sombrio e melancólico do mundo.

Simples na superfície, profunda na essência

A jogabilidade de Diablo II: Resurrected mantém sua essência acessível, permitindo que novos jogadores entendam rapidamente suas mecânicas básicas. No entanto, por trás dessa aparente simplicidade existe uma profundidade significativa, capaz de agradar até os veteranos mais dedicados do gênero.

O combate é fluido e responsivo, transmitindo impacto a cada habilidade utilizada e a cada inimigo derrotado. A construção de builds continua sendo um dos grandes pilares da experiência, oferecendo alto nível de personalização por meio da distribuição de atributos, escolhas na árvore de habilidades e combinações de equipamentos.

O sistema de loot permanece extremamente viciante, incentivando o jogador a buscar constantemente itens melhores, palavras rúnicas mais poderosas e combinações mais eficientes. Essa progressão natural se conecta diretamente aos desafios progressivos do jogo, que aumentam gradativamente a dificuldade e exigem maior planejamento estratégico.

Embora a experiência com mouse e teclado continue sendo a forma mais tradicional de jogar, a adaptação para controles foi surpreendentemente bem executada. A interface se mostra intuitiva e funcional, tornando tanto a navegação pelos menus quanto o combate bastante confortáveis para quem opta por jogar no controle.

Reign of the Warlock

A expansão Reign of the Warlock amplia a experiência de Diablo II: Resurrected ao introduzir a classe Warlock, que traz uma abordagem mais agressiva e versátil ao combate. A nova classe se destaca pela flexibilidade em campo de batalha e pela capacidade de se adaptar a diferentes estilos de jogo.

O Warlock conta com três vertentes principais de especialização. A árvore Chaos é voltada para dano explosivo e controle de área, ideal para jogadores que preferem eliminar grandes grupos de inimigos rapidamente. Já Eldritch foca em magias arcanas e manipulação de energia, oferecendo habilidades mais estratégicas e efeitos variados. Por fim, a vertente Demon aposta em invocações e poderes infernais, trazendo uma proposta mais sombria e voltada ao controle indireto do combate.

As três especializações se mostram viáveis ao longo de toda a campanha, permitindo liberdade criativa na montagem de builds sem comprometer a progressão do personagem. Essa variedade reforça um dos pilares do jogo: a personalização.

Além da nova classe, a expansão adiciona novos desafios, itens únicos inéditos e amplia ainda mais as possibilidades de combinações de builds. Também foram implementadas melhorias importantes de qualidade de vida, como filtros de loot, separação de baús específicos para gemas e runas e uma organização de inventário mais eficiente.

Essas mudanças modernizam a experiência, tornando o jogo mais prático e funcional, sem abrir mão da essência clássica que consagrou Diablo II como um marco do gênero.

Veredito

Diablo II continua sendo um divisor de águas para o subgênero aRPG. Sua influência é incontestável e sua estrutura permanece relevante mesmo décadas depois.

Com visuais atualizados, melhorias técnicas e uma nova expansão que adiciona conteúdo significativo, a experiência se mantém sólida tanto para novos jogadores quanto para veteranos.

  • Narrativa envolvente
  • Atmosfera marcante
  • Gameplay acessível e profunda
  • Alto fator de rejogabilidade

Mesmo após tantos anos, Diablo II prova que sua fórmula ainda funciona — e continua servindo de base para praticamente todo o gênero.

  • Narrativa envolvente
  • Atmosfera marcante
  • Gameplay acessível e profunda
  • Alto fator de rejogabilidade

Este review só foi possível graças ao envio da chave de acesso ao jogo pela assessoria, assim como ao conteúdo opcional disponibilizado, aos quais agradecemos imensamente.