Tem alguns jogos que você começa a jogar e imediatamente entende de onde eles vieram. Duskfade é exatamente assim.

Desenvolvido pela espanhola Weird Beluga, o jogo olha diretamente para a era de ouro dos plataformas 3D do PlayStation 2 e mistura referências de Kingdom Hearts, Jak and Daxter e Ratchet & Clank com uma estética própria de clockpunk, cheia de relógios, engrenagens e máquinas. E, o mais importante: ele não parece apenas uma cópia nostálgica desses jogos. Ele entende por que eles eram tão divertidos.

Uma aventura sobre tempo e perda

Você controla Zirian, um jovem que parte em busca da irmã depois que um misterioso acontecimento transforma completamente o seu mundo.

No caminho, ele encontra Cuckoo, um pequeno pássaro mecânico que acaba se tornando seu companheiro durante a jornada.

A história trabalha bastante com temas como família, perda, luto e a passagem do tempo. E, apesar de possuir uma apresentação bastante colorida e quase infantil em alguns momentos, existe uma melancolia interessante por trás de toda aquela aventura. É provavelmente uma das coisas que mais me surpreenderam em Duskfade.

Você espera apenas uma aventura divertida de plataforma e acaba encontrando uma história com bastante coração.

Parece um jogo perdido do PS2

É impossível não falar das referências. A arma de Zirian, a Minuteira, imediatamente lembra a Keyblade de Kingdom Hearts. A estrutura de exploração remete a Jak and Daxter, enquanto algumas ideias de movimentação e coleta lembram outros grandes plataformas daquela época.

Só que Duskfade não depende exclusivamente dessa nostalgia. Ele pega essa estrutura e a coloca dentro de um mundo completamente baseado em relógios, engrenagens e manipulação do tempo.

O resultado é um jogo que parece familiar sem necessariamente ser genérico.

A melhor parte de Duskfade, para mim, é simplesmente controlar Zirian. Você começa com movimentos relativamente básicos, mas vai desbloqueando novas possibilidades ao longo da campanha, como double jump, dash, grapple, glide e grind em trilhos.

E, quando todas essas habilidades começam a se combinar, a exploração fica muito mais divertida.

Um salto leva a um dash, que leva a um gancho, que leva a uma plataforma distante e, quando você percebe, está atravessando o mapa inteiro sem praticamente tocar o chão. É aquele tipo de movimentação que faz você procurar lugares que aparentemente não deveria conseguir alcançar.

Explorar é recompensador

O design dos mapas também é um dos grandes acertos. Existem caminhos principais relativamente claros, mas os cenários estão cheios de áreas escondidas, colecionáveis e lugares que só podem ser acessados depois que você desbloqueia determinadas habilidades.

Isso cria aquele clássico sentimento de: “Eu sei que tem alguma coisa ali. Só não consigo chegar ainda.” E, quando você finalmente retorna com uma nova habilidade e consegue acessar aquela área, a recompensa é bastante satisfatória.

Os diferentes biomas também ajudam a manter a aventura visualmente interessante, com florestas, montanhas, bibliotecas, vulcões e outros ambientes bastante distintos.

O combate é bom, mas não acompanha a plataforma

É aqui que Duskfade começa a perder um pouco de força. O combate possui lock-on, combos, esquivas e ataques aéreos, mas não chega ao mesmo nível de refinamento que a movimentação.

Ele funciona. É divertido. Mas raramente é a parte da experiência que você realmente espera. Em alguns momentos, os combates acabam parecendo uma pausa entre uma sequência de plataforma e outra.

E isso fica ainda mais evidente porque os chefes são consideravelmente melhores.

Os chefes são uma surpresa

As batalhas contra chefes conseguem aproveitar melhor as duas principais características do jogo: combate e plataforma. Em vez de simplesmente colocar uma arena e mandar você bater no inimigo até ele morrer, algumas lutas incorporam movimentação e desafios de plataforma.

Isso deixa os confrontos mais variados e cria momentos em que você realmente precisa dominar as habilidades que aprendeu durante a campanha.

É uma ótima utilização da fórmula.

Visualmente, é lindo

Aqui é difícil não elogiar. Duskfade é um jogo extremamente bonito. A direção de arte consegue transformar o conceito de clockpunk em algo bastante colorido e expressivo, e os ambientes parecem ter sido feitos para incentivar o jogador a parar de vez em quando e simplesmente olhar ao redor.

É também um daqueles jogos que mostram como uma equipe menor pode conseguir uma identidade visual mais interessante justamente por não precisar seguir o realismo.

E a trilha sonora acompanha muito bem essa proposta, ajudando a reforçar tanto os momentos de aventura quanto os mais emocionais.

Mas ele não é perfeito

Algumas coisas impedem Duskfade de alcançar um nível ainda maior. O combate poderia ser mais profundo, principalmente considerando o potencial do sistema.

A progressão também não é tão impactante quanto poderia ser e, depois que você desbloqueia praticamente todo o conjunto de habilidades, alguns dos últimos desafios não conseguem exigir tudo aquilo que você aprendeu.

Também existem alguns problemas pontuais de movimentação, câmera e lock-on que podem gerar momentos frustrantes. Nada disso destrói a experiência, mas são detalhes que ficam mais perceptíveis justamente porque o restante do jogo é tão bem executado.

Uma coisa que eu valorizo muito

Talvez o maior mérito de Duskfade seja simplesmente existir. A indústria passou muito tempo produzindo plataformas 3D gigantescos e, posteriormente, praticamente abandonou esse tipo de aventura tradicional em favor de mundos abertos e experiências cada vez maiores.

Duskfade lembra que não existe nada de errado em fazer um jogo linear, colorido, cheio de segredos e com uma campanha de aproximadamente 10 horas.

Ele não precisa ter 100 horas. Não precisa ter um mapa gigantesco. Não precisa de centenas de sistemas. Ele só precisa ser divertido.

E, nisso, Duskfade acerta muito.

Vale a Pena?

Duskfade é exatamente o tipo de jogo que eu gostaria de ver mais vezes. Ele pega uma fórmula que parecia ter ficado presa no passado e mostra que ainda existe espaço para plataformas 3D tradicionais.

A movimentação é excelente, a exploração é recompensadora, os mundos são lindos, os chefes são criativos e a história possui muito mais coração do que eu esperava.

O combate poderia ser mais profundo, algumas questões técnicas incomodam e a progressão não aproveita completamente todas as ferramentas que o jogo oferece.

Mas nada disso consegue apagar o principal. Duskfade é divertido. E talvez seja justamente por isso que ele funciona tão bem.

  • Movimentação fluida e divertida;
  • Mundos bonitos e cheios de segredos;
  • Uma história com bastante coração.

Duskfade já está disponível para PC, PlayStation 5, Nintendo Switch 2 e Xbox Series S/X

Este review só foi possível graças ao envio de uma chave de acesso fornecida pela assessoria, a quem agradecemos pela oportunidade.