Fading Echo é um daqueles jogos que chamam atenção pelo conjunto de ideias que apresentam. O título possui um universo interessante, uma direção de arte estilosa e uma mecânica central envolvendo água que dá personalidade à experiência.

Depois de concluir a campanha no PC, porém, a sensação é de que faltou transformar esse potencial em algo mais consistente. O jogo apresenta boas ideias, mas nem sempre consegue desenvolvê-las até o ponto em que poderiam realmente se destacar.

É uma estreia que mostra potencial, mas também deixa evidente que ainda havia espaço para mais refinamento.

Um universo interessante, mas pouco explorado

A história acompanha One, uma jovem Lendária que vive em Corel, um mundo formado por ilhas flutuantes que está sendo consumido pela chamada Corrupção do Paradoxo.

Durante sua jornada, One entra em contato com o Æther e passa a ter a capacidade de manipular a água. A partir daí, ela tenta descobrir o que está acontecendo com seu mundo e entender melhor o próprio passado.

A premissa funciona e apresenta conceitos capazes de despertar curiosidade. O problema é que a narrativa nem sempre consegue aproveitar todo o potencial desse universo. Novas ideias são apresentadas constantemente, mas muitas acabam funcionando mais como conceitos interessantes do que como elementos realmente aprofundados pelo roteiro.

No fim, fiquei mais interessado pelo universo de Fading Echo do que pela história que ele efetivamente conta.

Transformação em água é o grande diferencial

A melhor ideia de Fading Echo é, sem dúvida, a capacidade de One se transformar em água. Felizmente, a mecânica não serve apenas como recurso visual. Ela está diretamente integrada à exploração, aos quebra-cabeças e ao combate.

A transformação permite atravessar espaços menores, interagir com elementos do cenário e encontrar diferentes maneiras de avançar. O jogo ainda utiliza elementos como lava e substâncias tóxicas para criar interações que ampliam as possibilidades dessa habilidade.

É uma mecânica criativa e que ajuda Fading Echo a construir sua própria identidade. O problema é que uma ideia tão interessante poderia ter sido explorada de maneiras ainda mais criativas ao longo da aventura.

Combate divertido, mas pouco profundo

O sistema de combate aposta em uma estrutura relativamente simples. One possui diferentes ataques e pode utilizar elementos do próprio cenário para provocar efeitos nos inimigos.

Uma das mecânicas mais interessantes é justamente a possibilidade de lançar adversários contra determinadas substâncias e provocar reações.

É divertido e funciona bem, principalmente quando o jogador começa a entender como combinar as possibilidades disponíveis.

Por outro lado, o sistema não evolui na mesma proporção que a aventura avança. Depois de algumas horas, praticamente todas as principais ferramentas já foram apresentadas, e a sensação de descoberta começa a diminuir.

Faltou adicionar novas camadas ao combate para manter o interesse durante toda a campanha.

A repetição compromete o ritmo

Esse é provavelmente o principal problema de Fading Echo. As ideias apresentadas são boas, mas algumas são utilizadas tantas vezes que acabam perdendo impacto. O jogador aprende uma mecânica, entende seu funcionamento e passa bastante tempo realizando variações da mesma atividade.

Em vez de ampliar constantemente as possibilidades, o jogo muitas vezes prefere reaproveitar conceitos já apresentados.

Isso pesa especialmente nas partes mais longas da aventura, quando o ritmo diminui e a sensação de repetição fica mais evidente. Uma progressão mais criativa das mecânicas teria ajudado bastante a manter a experiência renovada.

Direção de arte que se destaca

Se existe um aspecto em que Fading Echo demonstra bastante segurança, é na direção de arte. O jogo é visualmente bonito, com uma estética colorida e estilizada que combina muito bem com seu universo. O contraste entre ambientes vibrantes e regiões tomadas pela decadência também funciona muito bem.

Mais importante do que o aspecto técnico é a identidade visual.

Fading Echo é um jogo facilmente reconhecível quando visto em uma imagem, algo que considero especialmente positivo em uma produção independente.

É uma direção de arte que consegue transmitir personalidade sem depender de gráficos tecnicamente impressionantes.

Uma narrativa que fica aquém do potencial

A história é o ponto em que mais senti que Fading Echo poderia entregar algo melhor. A ideia de diferentes realidades e a própria Corrupção do Paradoxo oferecem uma base bastante interessante para desenvolver uma narrativa mais ambiciosa.

O roteiro, porém, nem sempre consegue transformar esses conceitos em momentos realmente marcantes.

Os personagens também apresentam potencial, mas faltou desenvolvimento para criar um envolvimento maior com boa parte deles. É frustrante porque existe uma base sólida para uma história muito mais interessante escondida dentro desse universo.

Apesar de apresentar alguns elementos de RPG, Fading Echo está muito mais próximo de um action adventure. A progressão é simples e não existe uma estrutura focada em builds extremamente diferentes ou em sistemas profundos de personalização.

Isso é importante para alinhar as expectativas. Quem estiver procurando um RPG tradicional, com grande variedade de equipamentos, atributos e possibilidades de construção de personagem, provavelmente encontrará uma experiência mais simples do que esperava.

O foco está na exploração, no combate e na utilização das habilidades de One.

Uma estreia com potencial

Fading Echo também precisa ser analisado levando em consideração que se trata de um primeiro projeto.

A Emeteria demonstra que possui boas ideias e, principalmente, uma identidade própria. Existe uma direção de arte marcante, uma mecânica central criativa e um universo com potencial para crescer.

O que falta é justamente transformar essas boas ideias em um conjunto mais refinado.

Mais variedade no combate, uma progressão capaz de acompanhar a evolução da aventura e uma narrativa que explore melhor o universo poderiam elevar bastante a experiência.

Vale a Pena

Fading Echo é um jogo que eu gostaria de ter gostado mais. Ele possui personalidade, criatividade e uma mecânica central que funciona muito bem, mas acaba limitado pela repetição, pela progressão simples e por uma narrativa que não aproveita completamente o potencial de seu universo.

Ainda assim, existe um aspecto bastante positivo em tudo isso: Fading Echo representa um primeiro passo.

Para uma estreia, apresentar uma identidade tão clara já é um feito relevante. A impressão deixada é de que a Emeteria encontrou boas bases, mas ainda precisa de mais experiência e recursos para transformar suas ideias em uma experiência realmente memorável.

Não é um jogo que eu recomendaria indiscriminadamente, mas é um projeto que vale acompanhar. Se o estúdio conseguir evoluir os conceitos apresentados aqui em um próximo trabalho, há motivos para ficar de olho no que vem pela frente.

Nota 6
  • Direção de arte marcante e estilosa;
  • Mecânica de transformação em água criativa;
  • Universo original e cheio de potencial.

Fading Echo já está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series S/X.

Este review só foi possível graças ao envio de uma chave de acesso fornecida pela assessoria, a quem agradecemos pela oportunidade.