Call of the Elder Gods ainda está sob embargo de reviews, portanto, esta análise é baseada nas primeiras horas de jogo e em materiais disponibilizados antecipadamente. Mesmo assim, já é possível perceber que o título busca ir além do que Call of the Sea construiu — principalmente em escopo e narrativa.

A proposta permanece clara: trata-se de um puzzle game narrativo em primeira pessoa, com forte foco em exploração e observação. No entanto, tudo parece maior e mais ambicioso desta vez.

Narrativa mais ampla com dois protagonistas

A história acompanha dois personagens: Harry Everhart, professor da Universidade Miskatonic, e Evangeline Drayton, uma estudante atormentada por sonhos envolvendo um artefato misterioso.

Desde o início, o jogo estabelece um clima constante de estranheza, com visões periféricas, sonhos impossíveis e eventos que desafiam a lógica. A estrutura com dois protagonistas adiciona uma camada interessante à narrativa, permitindo alternar entre eles para resolver puzzles e avançar na história — inclusive com situações que envolvem diferentes momentos no tempo.

Essa abordagem já demonstra uma ambição maior em relação ao título anterior.

Puzzles seguem como destaque, agora mais desafiadores

Para quem jogou Call of the Sea, a base será familiar. Os puzzles continuam centrados na observação do ambiente, leitura de pistas e conexão de elementos.

A diferença está na complexidade: os desafios parecem mais elaborados, com múltiplas etapas e exigindo maior atenção do jogador.

Outro ponto positivo é a acessibilidade. O jogo oferece:

  • níveis de dificuldade ajustáveis
  • sistema de dicas opcionais
  • diário com registros e ícones

Esses recursos tornam a experiência mais flexível, atendendo tanto quem busca desafio quanto quem prefere algo mais guiado.

Escala maior e variedade de cenários

Um dos aspectos que mais se destacam neste início é a diversidade de ambientes. A jornada passa por:

  • mansões em New England
  • desertos australianos
  • regiões congeladas
  • cidades “fora do tempo”

Tudo isso é construído na Unreal Engine 5, representando um salto visual evidente em relação ao jogo anterior. A direção de arte continua sendo um ponto forte, agora com ainda mais variedade e ambição.

Atmosfera lovecraftiana ganha força

A influência de H. P. Lovecraft está ainda mais evidente, especialmente com referências a The Shadow Out of Time. O jogo explora temas como sanidade, conhecimento proibido e entidades além da compreensão humana.

Não se trata de um terror baseado em sustos, mas sim em desconforto psicológico e mistério crescente — um elemento que parece bem integrado à narrativa e à ambientação.

Dublagem e trilha reforçam a imersão

A apresentação também chama atenção. A história conta com dublagem completa, incluindo nomes como Yuri Lowenthal e Cissy Jones, o que contribui para o peso emocional dos personagens.

A trilha sonora, assinada por Eduardo de la Iglesia, complementa bem a experiência, especialmente nos momentos mais introspectivos.

Primeiras impressões

Mesmo em estágio de prévia, Call of the Elder Gods demonstra potencial para ser mais do que uma simples sequência. O jogo expande a narrativa, aumenta a complexidade dos puzzles e amplia significativamente a escala do mundo.

A principal dúvida, neste momento, é se conseguirá sustentar essa ambição até o final. Por enquanto, a base é sólida e a expectativa é alta. Se mantiver o nível apresentado nas primeiras horas, o título pode representar uma evolução significativa em relação ao seu antecessor.