Sonic e velocidade sempre foram sinônimos no mundo dos videogames. Desde os anos 90, o ouriço azul conquistou fãs justamente pelo ritmo frenético de suas aventuras. Mas e quando a SEGA decide colocar Sonic atrás do volante de um kart? A ideia parece contraditória — afinal, por que dirigir se ele já corre mais rápido que qualquer carro? Pois é exatamente nesse paradoxo que nasce Sonic Racing: Crossworlds, a nova aposta da SEGA no gênero de corrida arcade.

E olha, dessa vez a empresa resolveu mirar alto.

Antes de falar do jogo em si, vale contextualizar: jogos de corrida do Sonic não são novidade. A franquia já teve diversas tentativas no passado, mas nunca conseguiu chegar perto do impacto de seu principal concorrente — o gigante Mario Kart. Faltava polimento, conteúdo ou simplesmente identidade. Sempre ficou aquela sensação de “tem potencial, mas não chega lá”.

Pois bem, em Crossworlds a SEGA finalmente decidiu investir de verdade, e o resultado surpreende.

Simples e viciante

A primeira coisa a dizer sobre o jogo: ele é simples — e isso é ótimo.
Se você já jogou qualquer título de kart racing antes, vai se sentir em casa logo nos primeiros minutos. A jogabilidade é acessível, rápida e direta, sem enrolação com menus complicados.

Os karts podem ser personalizados em três partes (frente, rodas e traseira), e cada ajuste altera a forma de jogar. Há classes focadas em velocidade, dirigibilidade, aceleração e arrancada. Nada de revolucionário aqui, mas funciona bem, principalmente porque cada jogador consegue encontrar um estilo que se adapta ao próprio gosto.

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Além disso, existe um sistema de vantagens equipáveis antes das corridas — como começar com mais moedas, ter maior chance de itens de velocidade ou garantir bônus específicos. A variedade é enorme, mas o jogo equilibra bem para não transformar tudo em bagunça. Resultado: você sente que tem opções, mas nunca fica desbalanceado.

O grande diferencial: mundos cruzados

É aqui que Crossworlds se destaca. O jogo leva a ideia de “crossworlds” ao pé da letra.

Durante uma corrida padrão de três voltas, tudo começa de forma normal. Mas, ao iniciar a segunda volta, o líder se depara com dois portais: um que leva a uma pista escolhida e outro totalmente aleatório. Ao atravessá-los, todos os corredores são transportados para um novo circuito no meio da corrida.

Isso quebra a monotonia de forma genial. Você pode começar em uma pista onde domina cada curva e, de repente, ser jogado em um trajeto no qual é péssimo. A imprevisibilidade deixa cada partida diferente da outra.

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E tem mais: na volta final, todos retornam à pista original — só que dinâmica. Elementos do cenário ganham vida e passam a interagir com os jogadores. Exemplo: em uma pista de museu, esqueletos de dinossauros ficam imóveis no início, mas na última volta começam a andar pelo trajeto, podendo esmagar karts desavisados.

Pode frustrar alguns jogadores mais competitivos, mas a graça está justamente nisso. Jogando com amigos, a imprevisibilidade rende momentos hilários e caóticos, daquele tipo que te faz gritar: “MEU DEUS, O QUE ESTÁ ACONTECENDO?!”

Jogabilidade e controles

Nem tudo é perfeito. A dirigibilidade dos karts pode parecer um pouco dura demais, especialmente em pistas cheias de curvas. É relativamente fácil bater nas laterais por falta de sensibilidade nos controles. Pode ser algo proposital (para manter o desafio) ou algo que ainda precise de ajustes futuros.

De qualquer forma, nada que comprometa a diversão. Com o tempo, dá para se adaptar.

Visual e performance

Graficamente, o jogo é um show à parte. Pistas, personagens e veículos são coloridos, detalhados e cheios de vida. A variedade de cenários impressiona, e a transição entre mundos é rápida e sem engasgos.

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Testado no PlayStation 5, o desempenho foi impecável: sem quedas de FPS, travamentos ou problemas de carregamento. A curiosidade fica no ar em relação ao PS4, que ainda usa HD e tem leitura de memória mais lenta — mas, considerando que o jogo foi lançado para ele, a SEGA certamente otimizou de algum jeito.

O modo online também merece elogios. Partidas rápidas de encontrar, sem lags, desconexões ou pings altos. É raro ver algo tão bem estabilizado logo no lançamento.

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Vale a pena?

Se você gosta de videogame pelo simples prazer de ligar e jogar, Sonic Racing: Crossworlds é altamente recomendado. Ele acerta no básico, entrega corridas divertidas e caóticas, com um tempero extra graças à mecânica de mundos cruzados.

É também uma ótima opção para jogar em família: simples o bastante para crianças, mas imprevisível o bastante para divertir qualquer adulto.

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O único ponto negativo real é o preço: R$ 399 nos consoles e R$ 350 no PC. Como sempre, digo que nenhum jogo vale esse valor no Brasil, mas infelizmente é a realidade do nosso mercado. Se isso não for um impeditivo, pode mergulhar sem medo.

Conclusão

Sonic Racing: Crossworlds é videogame em seu estado mais puro: colorido, acessível, caótico e divertido. Pela primeira vez, a franquia de corrida do ouriço realmente parece ter encontrado uma identidade própria — e o concorrente famoso da Nintendo precisa abrir o olho.

Sonic Racing: Crossworlds está disponível para Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Xbox One.

Este review só foi possível graças ao envio de uma chave de acesso fornecida pela assessoria, a quem agradecemos pela oportunidade.