Aether & Iron é um daqueles jogos que chamam atenção de cara pelo visual. A estética steampunk com pegada retrofuturista, ambientada em uma versão estilizada de Nova York, funciona muito bem e cria uma identidade forte logo nos primeiros minutos.

Mas conforme você avança, fica claro que o jogo aposta muito mais na apresentação do que na profundidade dos seus sistemas.

Mais visual novel do que RPG

Apesar de vender uma ideia de RPG narrativo, Aether & Iron está muito mais próximo de uma visual novel com segmentos de combate.

Você passa a maior parte do tempo:

  • conversando
  • fazendo escolhas de diálogo
  • acompanhando a história

Existem rolagens de dados e decisões, mas na prática, elas têm pouco impacto real.

Mesmo quando você falha em uma rolagem, o jogo continua normalmente. E mesmo com várias escolhas disponíveis, a história quase sempre chega no mesmo ponto.

Isso tira bastante da sensação de liberdade. No fim, ele é muito mais linear e scriptado do que parece.

Uma história que melhora com o tempo

Você controla Gia, uma contrabandista que precisa proteger uma garota da elite que quer fugir para as partes mais baixas da cidade.

A premissa é interessante e funciona melhor conforme o jogo avança. O problema é o começo.

O Ato 1 é lento e demora pra te engajar. Só a partir do Ato 2 que a narrativa começa a ficar mais interessante e ganhar ritmo.

Os personagens ajudam bastante nisso — são carismáticos e sustentam boa parte da experiência.

Direção de arte é o grande destaque

Aqui não tem muito o que discutir: o jogo é bonito.

  • design dos personagens bem feito
  • cenários com bastante estilo
  • interface de diálogos ilustrada que dá vida às interações

A estética steampunk funciona muito bem e é, facilmente, o ponto mais consistente do jogo.

Combate simples… e às vezes frustrante

O combate existe, mas não evolui muito ao longo do jogo. Você tem:

  • progressão por talentos
  • personalização do seu veículo (que é sua principal ferramenta de combate)

A ideia é legal, principalmente a parte de customizar armas, peças e visual. Mas na prática, o sistema é raso e repetitivo. E pior: em alguns momentos, ele é injusto.

A primeira boss fight já é um exemplo claro disso. Você enfrenta um inimigo muito forte quando ainda está fraco e com poucos recursos.

E isso se repete no final do jogo, com uma luta em múltiplas fases sem tempo pra respirar, curar ou se preparar. A dificuldade aqui parece mais artificial do que desafiadora.

Problemas técnicos e de localização

O jogo é estável no geral — não tive crashes — mas apresenta vários problemas pequenos que acabam incomodando:

  • bugs que travam o início de combates
  • conquistas desbloqueando sem cumprir requisitos
  • erros de tradução em PT-BR
  • partes sem localização, como cutscenes em inglês e tutoriais em francês
  • inconsistências entre fala e legenda

Nada disso quebra o jogo sozinho, mas somado, passa uma sensação de falta de polimento.

Dublagem inconsistente

A dublagem em inglês é boa em alguns momentos, mas falha em outros.

Principalmente na questão de identidade dos personagens.

A protagonista é italiana, por exemplo, mas praticamente não tem sotaque. Em palavras específicas, isso fica ainda mais evidente e tira um pouco da imersão.

Conclusão

Aether & Iron tem uma base interessante. A estética é forte, os personagens são legais e a proposta narrativa tem potencial.

Mas ele simplifica demais seus sistemas e não entrega a profundidade que parece prometer. O combate cansa, as escolhas têm pouco impacto e alguns momentos são frustrantes de forma desnecessária.

Ainda assim, pode valer a pena se você encarar como uma experiência mais próxima de uma visual novel com elementos de gameplay — principalmente se pegar em promoção.

Duração: cerca de 21 horas

Nota 6
  • Direção de arte e estética steampunk
  • Personagens carismáticos
  • Interface de diálogo bem apresentada

Aether & Iron já está disponível para PC.

Este review só foi possível graças ao envio de uma chave de acesso fornecida pela assessoria, a quem agradecemos pela oportunidade.