Existem jogos que chegam ao mercado tentando reinventar um gênero inteiro, apresentando mecânicas inéditas, sistemas complexos e dezenas de horas de conteúdo. Denshattack! segue um caminho completamente diferente. Desde os primeiros minutos fica claro que ele sabe exatamente qual experiência quer entregar. Seu objetivo não é ser revolucionário, mas oferecer uma jogabilidade arcade rápida, intensa e altamente viciante. E, dentro dessa proposta, ele acerta em cheio.
A ausência de uma narrativa elaborada ou de mecânicas excessivamente complexas pode até afastar quem procura uma experiência mais profunda, mas acaba se tornando uma das maiores qualidades do jogo. Tudo é construído para colocar o jogador diretamente na ação, sem enrolação. Em poucos minutos você já entende todas as mecânicas básicas e começa a entrar naquele ciclo viciante de sempre querer jogar “só mais uma partida”.
Gameplay é o grande destaque
A gameplay é, sem dúvida, o grande destaque de Denshattack!. O funcionamento é extremamente simples: escolher um personagem, enfrentar hordas de inimigos, desbloquear melhorias durante a partida e tentar sobreviver o maior tempo possível. Não há uma curva de aprendizado complicada, nem sistemas que exigem horas de dedicação para serem compreendidos. Essa acessibilidade faz com que qualquer jogador consiga aproveitar rapidamente a experiência, enquanto a intensidade das partidas mantém o desafio sempre presente.
O mérito do jogo está justamente em transformar uma estrutura simples em algo extremamente divertido. Cada derrota gera a sensação de que seria possível ter ido mais longe com decisões diferentes, seja escolhendo outra habilidade, adotando uma estratégia mais segura ou apenas reagindo mais rápido aos inimigos. Essa vontade constante de tentar novamente é o que sustenta toda a experiência e faz com que o tempo passe sem que o jogador perceba.

Caos intenso, mas sempre justo
À medida que a partida avança, o ritmo aumenta de forma bastante significativa. Inimigos começam a surgir de todas as direções, habilidades ocupam boa parte da tela e o jogador precisa tomar decisões em questão de segundos enquanto desvia de ataques e tenta encontrar espaço para sobreviver. Mesmo assim, Denshattack! consegue evitar um problema bastante comum nesse tipo de jogo: o excesso de informação visual.
Apesar do caos, a tela permanece relativamente organizada. Os efeitos especiais são chamativos, mas dificilmente escondem elementos importantes da gameplay. Quando a derrota acontece, quase sempre fica claro qual foi o erro cometido. Você percebe que demorou para reagir, ficou cercado por inimigos ou fez uma escolha ruim durante a progressão da partida. Essa sensação de justiça é extremamente importante em jogos de sobrevivência, pois transforma cada derrota em aprendizado em vez de frustração.
Progressão mantém o jogador motivado
Outro ponto positivo é o sistema de progressão. Embora seja relativamente simples, ele consegue dar variedade suficiente para que cada partida tenha uma identidade própria. Os diferentes personagens oferecem abordagens distintas, enquanto as habilidades desbloqueadas durante as partidas permitem criar combinações interessantes que alteram o ritmo do combate.

É inevitável comparar Denshattack! com títulos como Vampire Survivors ou Hades, mas a proposta aqui é diferente. Enquanto esses jogos apostam em sistemas de progressão bastante robustos e uma enorme quantidade de conteúdo, Denshattack! prefere manter tudo mais enxuto e acessível. Ele não tenta competir em escala; seu foco está em oferecer sessões rápidas, divertidas e fáceis de revisitar sempre que o jogador tiver alguns minutos livres.
Visual e trilha sonora acompanham o ritmo
Visualmente, o jogo faz um bom trabalho. A direção de arte utiliza cores vibrantes e personagens estilizados que combinam perfeitamente com a velocidade da ação. Mesmo sem buscar gráficos extremamente detalhados ou realistas, a identidade visual possui personalidade suficiente para tornar cada partida agradável de acompanhar.
A trilha sonora segue a mesma filosofia. Ela acompanha o ritmo frenético das partidas e ajuda a manter a adrenalina elevada durante todo o tempo, embora dificilmente seja lembrada depois que o jogo termina. Não é uma soundtrack marcante, mas funciona exatamente como deveria, servindo de apoio para a ação sem chamar mais atenção do que a gameplay.

O que poderia ser melhor
O principal ponto fraco aparece depois de algumas horas de jogo. Como a base da experiência é muito boa, naturalmente surge a sensação de que poderia existir uma quantidade maior de conteúdo. Novos mapas, mais tipos de inimigos, chefes inéditos, modos extras ou um sistema de progressão mais elaborado ajudariam bastante a prolongar a vida útil do jogo. A diversão continua presente, mas quem investir muitas horas provavelmente começará a perceber uma certa repetição.
Vale a pena?
No fim das contas, Denshattack! entende perfeitamente sua proposta e executa tudo com bastante competência. Ele não tenta reinventar o gênero nem disputar espaço com os maiores nomes dos roguelites ou jogos de sobrevivência. Em vez disso, aposta em uma jogabilidade refinada, partidas rápidas e um ritmo constante de ação que prende o jogador do início ao fim.
Para quem procura um arcade focado em diversão imediata, reflexos rápidos e uma gameplay viciante, é uma recomendação bastante fácil de fazer.

- Gameplay viciante;
- Combate bem equilibrado;
- Visual estilizado.
Denshattack! está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X/S, Nintendo Switch 2 e PC.
Este review só foi possível graças ao envio de uma chave de acesso fornecida pela assessoria, a quem agradecemos pela oportunidade.