Call of the Elder Gods é o tipo de sequência que claramente quer ser maior que seu antecessor. O jogo aposta em mais personagens, cenários mais variados, puzzles mais complexos e uma narrativa ainda mais mergulhada no horror cósmico inspirado nas obras de H. P. Lovecraft. E, na maior parte do tempo, consegue entregar exatamente isso.

O problema é que toda essa ambição também traz alguns momentos onde o ritmo e a própria estrutura da experiência acabam pesando mais do que deveriam.

Uma narrativa mais densa e ambiciosa

Desta vez, acompanhamos Harry Everhart e Evangeline Drayton, dois personagens conectados a eventos misteriosos envolvendo artefatos antigos, sonhos perturbadores e desaparecimentos.

A estrutura com dois protagonistas funciona bem porque ajuda a dar mais dinamismo tanto para a narrativa quanto para os puzzles. Existe constantemente aquela sensação de que algo está errado. O jogo trabalha isso através de visões estranhas, cidades fora do tempo e entidades além da compreensão humana.

Diferente de Call of the Sea, que abordava esse universo de forma mais contida, Call of the Elder Gods abraça completamente a influência Lovecraftiana e faz isso de maneira muito mais direta.

A ligação com Call of the Sea

Apesar de funcionar sozinho, Call of the Elder Gods ganha muito mais peso para quem jogou Call of the Sea.

A conexão entre os dois jogos não está apenas em referências ou pequenos easter eggs. Existe uma continuidade temática clara envolvendo artefatos antigos, conhecimento proibido, obsessão pela descoberta e as consequências psicológicas do desconhecido.

Além disso, alguns elementos narrativos e certas revelações expandem ideias apresentadas no primeiro jogo, fazendo esta sequência parecer muito mais uma continuação direta daquele universo do que apenas um sucessor espiritual.

Para quem conhece o original, várias situações carregam um impacto maior justamente pelo contexto já estabelecido anteriormente.

Atmosfera é o grande destaque

Se existe algo que Call of the Elder Gods acerta com muita força, é sua atmosfera. A direção artística continua sendo um dos pontos altos da franquia, agora com cenários ainda mais variados, incluindo mansões antigas, desertos australianos, regiões congeladas e estruturas completamente surreais.

Tudo isso construído na Unreal Engine 5, trazendo um salto visual considerável em relação ao jogo anterior.

O áudio também merece destaque. A trilha sonora discreta, a ambientação pesada e o uso inteligente do silêncio ajudam a construir um desconforto constante. O medo aqui funciona muito mais pela sensação do desconhecido do que por sustos diretos.

Puzzles continuam sendo o coração do jogo

A gameplay segue muito próxima da fórmula do primeiro título. O jogador explora ambientes, procura pistas, observa detalhes e resolve puzzles baseados em lógica e interpretação do cenário.

Desta vez, os desafios estão claramente mais elaborados. Alguns puzzles exigem bastante atenção e conexão entre informações espalhadas pelos cenários, o que torna a resolução mais recompensadora.

O sistema de dicas opcionais e os ajustes de dificuldade também ajudam bastante a tornar a experiência mais acessível para diferentes tipos de jogadores.

Ritmo ainda pode cansar

Por outro lado, o jogo continua extremamente dependente do seu loop de exploração e resolução de puzzles.

Isso faz com que alguns momentos pareçam mais lentos do que deveriam. Existe pouca variedade real de gameplay e, caso o jogador não esteja completamente envolvido pela narrativa e pela ambientação, o ritmo pode começar a ficar cansativo depois de algumas horas.

Além disso, alguns puzzles entram naquela linha em que a solução faz sentido, mas talvez não da maneira mais intuitiva possível.

Dublagem fortalece a narrativa

Outro acerto importante está no elenco de voz. As atuações de Yuri Lowenthal e Cissy Jones ajudam bastante a vender o peso emocional dos protagonistas e tornam os diálogos mais naturais.

Isso faz diferença em um jogo tão focado em narrativa.

Vale a pena?

Call of the Elder Gods é uma sequência claramente mais ambiciosa. O jogo expande praticamente todos os elementos apresentados em Call of the Sea, trazendo uma narrativa maior, puzzles mais complexos, ambientação mais variada e um horror cósmico muito mais presente.

Ao mesmo tempo, essa ambição também traz problemas de ritmo e uma estrutura que continua bastante dependente do interesse do jogador pela narrativa e pela exploração.

Ainda assim, para quem gosta de jogos focados em mistério, exploração e puzzles narrativos, Call of the Elder Gods entrega uma experiência interessante, atmosférica e cheia de personalidade.

  • Atmosfera Lovecraftiana extremamente imersiva;
  • Puzzles mais elaborados e recompensadores;
  • Direção artística e ambientação excelentes.

Call of the Elder Gods já está disponível para PC, PS5 e Xbox Series S/X.

Este review só foi possível graças ao envio de uma chave de acesso fornecida pela assessoria, a quem agradecemos pela oportunidade.