Na franquia Diablo, expansões sempre tiveram um papel fundamental. Diferente de muitos jogos que usam DLCs apenas como conteúdo complementar, a série construiu sua identidade através delas. Foi assim com Diablo II: Lord of Destruction, responsável por introduzir um novo ato, as famosas runewords e consolidar Baal como um dos grandes vilões da franquia. Anos depois, Diablo III: Reaper of Souls praticamente reconstruiu Diablo III após um lançamento extremamente criticado, trazendo uma campanha mais sombria e um endgame muito mais sólido.

Com Diablo IV, a Blizzard decidiu apostar em algo ainda maior: uma saga dividida em múltiplas expansões. O arco “A Saga do Ódio” começou no jogo base, avançou em Diablo IV: Vessel of Hatred e agora encontra seu clímax em Lord Of Hatred.

Uma campanha sombria e cinematográfica

Em Lord Of Hatred, os jogadores são levados para Skovos, ilha sagrada para a mitologia de Santuário e local diretamente ligado à criação dos Nephalins por Lilith e Inarius. A expansão aproveita esse peso narrativo para construir uma campanha extremamente focada na presença de Mephisto.

Depois dos acontecimentos da expansão anterior, Mephisto assume novamente um papel central, manipulando os habitantes de Skovos enquanto utiliza a imagem do santo Akarat para ganhar influência política e religiosa. Até mesmo Adreona, rainha das Amazonas, acredita estar diante do verdadeiro santo.

A narrativa funciona justamente porque a ameaça é constante. O roteiro transmite tensão em praticamente todos os momentos, fazendo com que o jogador sinta que Santuário está realmente à beira do colapso. As cutscenes continuam sendo um dos maiores trunfos da Blizzard, entregando momentos cinematográficos extremamente impactantes.

Reformulação da skill tree finalmente muda o gameplay

Uma das maiores críticas ao Diablo IV original era a limitação da progressão de builds. A antiga árvore de habilidades frequentemente dava a sensação de escolhas superficiais, onde o jogador apenas selecionava uma habilidade e escolhia entre dois modificadores relativamente simples.

Lord Of Hatred muda completamente essa lógica.

Agora, cada habilidade possui modificações muito mais profundas, oferecendo três caminhos distintos de especialização, além de novas passivas que afetam diretamente o comportamento das skills. Na prática, isso transforma a construção de builds em algo muito mais estratégico.

O resultado é uma sensação constante de evolução. Cada ponto investido realmente altera a dinâmica do personagem, algo que muitos jogadores sentiam falta desde o lançamento do jogo base.

Planos de Guerra é o melhor conteúdo de endgame já feito para Diablo IV

O novo sistema de endgame, chamado Planos de Guerra, talvez seja a maior evolução estrutural já vista em Diablo IV.

O sistema funciona como uma espécie de gerenciamento de atividades. O jogador escolhe quais conteúdos quer priorizar — como Hordas Infernais, Fosso, Maré Infernal, Dungeons ou Bosses — e evolui individualmente cada atividade conforme joga.

Cada atividade possui sua própria progressão e árvore de passivas, permitindo especializações focadas em determinados tipos de farm. O sistema lembra bastante a Atlas Tree de Path of Exile 2, incentivando variedade ao invés de repetição excessiva.

Essa mudança resolve um problema antigo do Diablo IV: a sensação de que o endgame rapidamente se tornava repetitivo.

O retorno do Cubo Horádrico transforma o craft

Outro ponto que recebeu uma reformulação profunda foi o craft. Antes da expansão, o sistema era extremamente limitado. O jogador tinha pouco controle sobre os atributos dos itens e boa parte dos equipamentos comuns ou mágicos se tornavam inúteis logo nas primeiras horas.

Com o retorno do Cubo Horádrico, o craft finalmente ganha profundidade. Agora é possível manipular afixos, reaproveitar itens comuns e moldar equipamentos de maneira muito mais personalizada. Isso adiciona uma camada enorme de progressão ao jogo, já que o farm de materiais passa a ter importância real dentro da evolução do personagem.

O sistema aumenta significativamente o tempo de vida do conteúdo sem depender apenas de loot aleatório.

Os Selos Horádricos chegam como mais uma camada de customização avançada. A mecânica funciona através de selos que liberam espaços para patuás, itens que concedem bônus específicos aos atributos do personagem. Dependendo da combinação escolhida, é possível transformar completamente o desempenho de uma build.

É um sistema claramente voltado para jogadores de ultra endgame, oferecendo otimização extrema para quem busca maximizar dano, defesa ou utilidade.

Paladino e Bruxo trazem estilos opostos

Lord Of Hatred também adiciona duas novas classes. O Paladino segue a tradição clássica da franquia, funcionando como uma mistura entre o antigo Paladino de Diablo II e o Cruzado de Diablo III. Suas auras e habilidades defensivas fazem dele um verdadeiro tanque de guerra focado em dano sagrado.

Já o Bruxo representa algo completamente diferente. A classe aposta em uma temática mais agressiva e sombria, baseada no domínio absoluto sobre demônios. A própria Blizzard descreveu o personagem como “heavy metal”, definição que combina perfeitamente com o visual e estilo de combate apresentado.

Um excelente conteúdo preso atrás de um paywall

Apesar de todas as qualidades, existe um problema impossível de ignorar: o preço. Grande parte das melhorias mais importantes da expansão está presa atrás de um paywall considerado elevado. Jogadores que compraram apenas o jogo base — ou até mesmo a expansão anterior — acabam ficando sem acesso a mudanças fundamentais de gameplay.

Isso cria uma divisão muito forte dentro da comunidade. Afinal, boa parte da evolução estrutural de Diablo IV depende diretamente da compra da expansão.

Vale a pena?

Mesmo com a controvérsia envolvendo monetização, Lord Of Hatred representa o melhor momento de Diablo desde Diablo II.

A expansão consegue entregar uma campanha forte, reformular completamente o endgame, aprofundar o sistema de builds e finalmente tornar o craft relevante. Tudo isso acompanhado da qualidade cinematográfica característica da Blizzard.

Por outro lado, o alto custo de entrada impede que toda a base de jogadores aproveite essas melhorias, fazendo com que uma sombra constante paire sobre aquilo que poderia facilmente ser considerado o ápice de Diablo IV até agora.

  • Campanha sombria e cinematográfica;
  • Nova skill tree traz muito mais liberdade e variedade para criação de builds;
  • Sistema de Planos de Guerra renova completamente o endgame de Diablo IV.

Diablo IV: Lord Of Hatred já está disponível para PC, PS5, PS4 e Xbox Series S/X (Game Pass).

Este review só foi possível graças ao envio de uma chave de acesso fornecida pela assessoria, a quem agradecemos pela oportunidade.