Desde seu anúncio, em 2021, durante o PlayStation Showcase, Marvel’s Wolverine rapidamente chamou minha atenção. Primeiro, por eu ser fã do personagem e porque já fazia muito tempo que não tínhamos um jogo focado no Wolverine. Mas, principalmente, por saber que ele seria desenvolvido pela Insomniac Games, a mesma responsável por Marvel’s Spider-Man, Spider-Man: Miles Morales e por jogos que gosto muito, como Sunset Overdrive e Ratchet & Clank.
Saber que esse estúdio estaria trabalhando em um jogo do herói mais sanguinário da Marvel despertou minha curiosidade e me encheu de esperança.
Desde aquele dia até seu lançamento, muita coisa aconteceu dentro da desenvolvedora, principalmente o enorme vazamento de informações que ela sofreu. Dezenas de arquivos do jogo foram parar na internet, incluindo trechos de gameplay e até mesmo uma build jogável. É importante sempre lembrar que aquilo foi resultado de um ato criminoso.
Felizmente, consegui fugir de praticamente tudo e fico feliz que o vazamento não tenha repercutido por tanto tempo na internet. O assunto acabou morrendo.
Depois de trailers, gameplays e novas informações sendo reveladas, confesso que comecei a ficar um pouco confuso sobre o jogo. Aquela enorme vontade que existia no anúncio diminuiu, mas, pelo selo PlayStation e pela Insomniac, eu ainda estava confiante para jogar.
Graças à chave de acesso enviada pela PlayStation Brasil, a quem agradeço muito, tive a oportunidade de jogar Marvel’s Wolverine durante seu período de lançamento. E agora vou contar como foi minha experiência.
Não pretendo entrar em muitos detalhes, principalmente por causa de spoilers. Além disso, a essa altura, provavelmente você já viu bastante coisa sobre o jogo. Então, vou falar de uma forma mais geral sobre o que senti durante a experiência.
Um novo “velho” Logan
Wolverine sempre foi um dos personagens mais complexos do universo dos mutantes. Ele vive entre sua fúria quase incontrolável e o desejo de fazer o que é certo.
É exatamente assim que começamos o jogo.
Logan é apresentado como um personagem perdido, que não se lembra de seu passado, mas sente que fez algo errado. Mesmo assim, sua vontade de fazer o que é certo continua intacta.

A narrativa de Marvel’s Wolverine, de forma geral, é simples e direta, seguindo bastante o estilo dos filmes da Marvel. Não espere uma trama extremamente complexa ou grandes reviravoltas. Tudo é apresentado de uma maneira bastante cinematográfica.
Ao mesmo tempo, o jogo consegue construir uma história e, principalmente, personagens interessantes o suficiente para prender sua atenção até o final.
A Insomniac já provou, com os jogos do Homem-Aranha, que sabe contar boas histórias. Porém, são histórias simples, com conclusões relativamente previsíveis e fáceis de acompanhar. É aquele tipo de narrativa que lembra um bom filme de sessão da tarde.
E, em Wolverine, não é muito diferente.
O grande diferencial está na violência, que comentarei mais à frente. De resto, o jogo segue bastante o padrão do estúdio, inclusive na construção de seu vilão. Não vou entrar em detalhes por causa dos spoilers, mas, para mim, tudo foi caminhando para exatamente onde eu imaginava. Sei que dizer isso pode passar a impressão de que a história é ruim, mas não é.
Sou bastante crítico com histórias em jogos e muitas vezes sinto que algumas narrativas são elevadas à categoria de “ótimas” sem necessariamente merecerem isso. Por isso, faço questão de dizer que a Insomniac conseguiu criar uma boa narrativa para o Wolverine.
Ela não reinventa a roda e não tenta causar grandes impactos, mas dificilmente vai deixar você desinteressado a ponto de não querer descobrir como tudo termina.
Gameplay prazerosa
Aqui estava uma das coisas que eu mais queria descobrir: como seria jogar com o Wolverine?
Se existe algo que a Insomniac sabe fazer muito bem é criar jogos extremamente divertidos. O estúdio já provou isso com Marvel’s Spider-Man, que conseguiu transmitir a sensação de ser o Homem-Aranha de uma maneira que muitos nem imaginavam ser possível.

E minha experiência com Wolverine foi ótima, mas também teve alguns tropeços. Primeiramente, é uma delícia apertar os botões neste jogo.
Cada golpe aplicado por Logan é extremamente satisfatório de ver e sentir no controle. Seja um ataque rápido, lento, fraco ou forte, todos possuem o peso necessário para tornar o combate muito agradável.
E isso também vale para os inimigos.
Como o Wolverine é praticamente uma máquina de matar, ele também precisa sentir cada golpe que recebe. E o jogador sente isso junto com ele.
Ver os ferimentos surgindo pelo corpo de Logan conforme ele apanha e observar a regeneração acontecendo é algo difícil de explicar apenas com palavras ou vídeos. É uma experiência que precisa ser sentida com o controle nas mãos.
O jogo também possui uma boa árvore de habilidades, oferecendo novas formas de abordar os combates ao longo da aventura. Isso deixa tudo ainda mais divertido. Porém, existe um problema: o jogo não exige tanto do jogador.

Quando terminei Marvel’s Wolverine, fiquei pensando sobre a gameplay e percebi que ela poderia ter sido muito melhor. Depois de refletir sobre o motivo desse sentimento, cheguei à conclusão de que o problema está justamente na falta de exigência.
E não estou falando da dificuldade. Estou falando da abordagem.
O jogo não possui uma grande variedade de inimigos. Durante boa parte da aventura, você enfrentará praticamente os mesmos tipos de adversários, e a maneira de lidar com eles também muda muito pouco.
Por exemplo: enfrentar um ninja do Tentáculo não é muito diferente de enfrentar um mercenário dos Reavers. A abordagem acaba sendo praticamente a mesma.

Isso é uma crítica, mas também pode ser visto de uma forma positiva. Mesmo repetindo bastante suas ideias, o combate nunca chegou a me cansar. Isso mostra o quanto aquilo que a Insomniac criou é satisfatório.
Por isso, é até uma pena que o jogo não exija mais do jogador.
Ao mesmo tempo em que é uma delícia apertar os botões com Wolverine e sair destruindo tudo pela frente, é inegável que a baixa exigência e a pouca variedade deixam o combate um pouco abaixo do que poderia ser. E, para mim, o combate deveria ser justamente o ponto mais alto do jogo.
Um baita casal
Durante os trailers, eu ficava me perguntando como seria a relação entre Jean Grey e Logan.
Os filmes, por exemplo, nunca conseguiram trabalhar essa relação da maneira que eu gostaria. Então, confesso que tinha certo medo de como isso seria tratado aqui. Mas esse medo desapareceu rapidamente.
Digo com tranquilidade que a relação entre os dois foi construída de uma maneira muito superior ao que vimos nas adaptações cinematográficas dos X-Men.

Desde o primeiro momento, Jean roubou a cena para mim. Conforme sua relação com Logan foi crescendo e sua personalidade sendo mais explorada, eu ficava cada vez mais interessado na personagem.
A interpretação dos dois atores também é excelente. Seja nos momentos de intimidade ou nas discussões, as atuações são convincentes e combinam muito bem com as características dos personagens.
É um dos pontos mais positivos do jogo e, certamente, uma dupla que eu gostaria de ver novamente no futuro. E esse elogio também vale para Logan.
A Insomniac tinha um grande desafio nas mãos ao adaptar o personagem. Afinal, nos cinemas temos um ator extremamente consolidado no papel.

Mesmo assim, o estúdio conseguiu fazer um ótimo trabalho. Logan pode parecer um pouco mais “manso” em alguns momentos do que estamos acostumados, mas acredito que isso aconteça principalmente por causa da excelente relação dele com Jean.
Sua personalidade mais agressiva continua muito presente, e sua fúria é bastante convincente.
Um jogo de PS5
Eu tenho certeza de que o pessoal da Insomniac é formado por bruxos. A velocidade com que esse estúdio trabalha é impressionante. Marvel’s Wolverine chega como mais um grande projeto desenvolvido para o PS5, e, mesmo trabalhando em um ritmo tão intenso, eles continuam entregando jogos que fazem você lembrar por que comprou o console.
Marvel’s Wolverine é um jogo lindo. Não importa o cenário: Madripoor, Japão ou as regiões geladas do Canadá. O jogo impressiona visualmente e mostra gráficos de nova geração.
Existem modos que priorizam qualidade gráfica ou desempenho e, independentemente da opção escolhida, o jogo continua muito bonito e apresenta uma performance bastante estável.

É impressionante ver que, mesmo em momentos com muitos inimigos na tela, o jogo consegue manter uma experiência muito fluida.
Isso merece destaque, principalmente em uma época em que muitos jogos chegam ao mercado precisando de várias correções após o lançamento. E isso também se aplica aos personagens.
Os trajes possuem texturas excelentes, enquanto as expressões faciais são muito boas e ajudam bastante na apresentação cinematográfica da aventura.
Tecnicamente, o único ponto negativo que encontrei foram alguns pequenos bugs, principalmente relacionados aos inimigos.
Em alguns momentos, eles ficavam presos em determinadas áreas ou simplesmente paravam de se movimentar durante os combates. Nada que tenha estragado minha experiência, mas são problemas que merecem ser mencionados.
Ótima dublagem, mas com um porém
Não é novidade que os jogos da PlayStation costumam ter ótimas dublagens. Sinceramente, não consigo lembrar de muitos jogos da Sony em que tenha ficado com uma sensação ruim em relação à dublagem.
Porém, existe um problema quando a PlayStation trabalha com personagens da Marvel. Para quem não sabe, a Marvel Games estabeleceu uma padronização para que os nomes dos heróis e personagens sejam pronunciados em seu idioma original.

Na prática, isso significa ouvir nomes como Mystique e Sabretooth durante uma dublagem em português. E, para mim, isso quebra um pouco a imersão em alguns momentos.
É algo pequeno, mas que incomoda, principalmente porque estamos acostumados a ouvir esses personagens com seus nomes em português.
Torço para que isso seja repensado no futuro e que os personagens possam ser chamados da maneira como sempre ouvimos por aqui.
Casual demais?
Eu não sei você, mas pessoalmente estou bastante cansado de jogos de mundo aberto.
Tenho a sensação de que, atualmente, todo jogo precisa ter grandes áreas de exploração. Porém, muitas vezes, sinto que essa implementação existe muito mais para aumentar o tamanho do jogo do que para realmente acrescentar algo à experiência. Por isso, achei perfeita a decisão de fazer Wolverine como um jogo linear.

Inclusive, não acho que um mundo aberto combinaria tão bem com o personagem. Não consigo imaginar Logan passando horas fazendo atividades secundárias espalhadas pelo mapa.
Porém, existe uma linha muito tênue entre ser linear e simplesmente mandar o jogador “andar para frente”. E Wolverine está claramente mais próximo da segunda opção.
Durante a experiência, quase nunca existe a possibilidade de seguir por caminhos diferentes. Mesmo em regiões maiores, como o Japão, o jogo deixa muito claro qual é o caminho que você deve seguir.
O problema é que essa limitação foi, na minha opinião, mal implementada. Existem cenários que claramente parecem permitir que você siga por determinado caminho, mas o jogo sempre encontra uma maneira de impedir isso.
Felizmente, não temos aquelas tradicionais paredes invisíveis. Em vez disso, o jogo utiliza outras soluções, como áreas com grama que impedem a passagem ou inimigos que simplesmente acabam matando Logan caso você tente seguir pelo caminho errado.
E existe outro problema relacionado a isso. Como o jogo é linear e o caminho normalmente já é bastante claro, não vejo necessidade de o jogo tentar guiar o jogador o tempo inteiro.
Entre os sentidos de Logan está seu olfato extremamente aguçado, capaz de detectar pessoas e objetos a grandes distâncias. É uma mecânica interessante e faz sentido para respeitar as características do personagem.
O problema é que ela é utilizada de maneira exagerada. A essa altura, você provavelmente já viu vídeos mostrando aquela famosa “linha azul” indicando para onde o jogador deve ir.
Isso não seria um problema se estivéssemos falando de cenários enormes, nos quais seria fácil se perder. Mas, em Wolverine, o caminho normalmente já está bem claro.
Por isso, em vários momentos, senti que o jogo estava me empurrando para a direção certa de maneira exagerada.

E isso também se estende a outro problema bastante comum nos jogos da Sony: os personagens frequentemente entregam ao jogador as soluções dos quebra-cabeças ou indicam exatamente o que deve ser feito.
Felizmente, algumas dessas coisas podem ser alteradas nas opções. Minha recomendação é que você dê uma olhada nas configurações antes de começar e desative algumas dessas ajudas. Dessa forma, a experiência fica um pouco mais natural e você tem mais liberdade para descobrir as soluções por conta própria.
Vale a pena?
Marvel’s Wolverine é um ótimo jogo. É divertido, bonito e possui ótimos personagens que conseguem nos acompanhar ao longo de toda a aventura.
Porém, existe uma sensação constante de que ele poderia ser ainda melhor. O combate, por exemplo, é extremamente divertido, mas não exige muito do jogador. A variedade de inimigos é limitada e as possibilidades de abordagem poderiam ser maiores.

A exploração praticamente não existe, e algumas das habilidades também não fazem tanta diferença durante a aventura. Ainda assim, Marvel’s Wolverine consegue ser divertido do começo ao fim.
O combate é visceral e violento, as animações são impressionantes, os personagens são carismáticos e a história consegue manter o interesse até o final.
Wolverine é um jogo de altos e baixos. Em alguns momentos, fica aquela sensação de que poderia ter sido mais ambicioso, mais profundo ou mais exigente.
Mas, no fim das contas, ele cumpre muito bem seu principal papel: ser um jogo extremamente divertido.
E, depois de tudo que vivi com Logan nessa aventura, mal posso esperar para ver o que a Insomniac fará com ele e com os outros personagens desse universo no futuro.

- Combate visceral e extremamente satisfatório;
- Personagens carismáticos e bem desenvolvidos;
- Gráficos impressionantes e ótima performance.
Marvel’s Wolverine já está disponível para PlayStation 5.
Este review só foi possível graças ao envio de uma chave de acesso fornecida pela assessoria, a quem agradecemos pela oportunidade.