Deve ser muito difícil convencer as pessoas a gostar de algo quando elas já partem da vontade de não gostar. Pois bem, acredito que Marathon, novo jogo de extração da Bungie, pode conseguir exatamente isso — pelo menos com aqueles que já apreciam o gênero ou que buscam uma experiência multiplayer diferente dentro do cenário atual.

Depois de um adiamento, polêmicas envolvendo supostas cópias em artes, problemas internos no estúdio e até cancelamentos de projetos por parte da Sony, finalmente o grande público pôde testar o jogo neste fim de semana graças ao Teste de Estresse liberado para todos. Foi a primeira oportunidade real de colocar as mãos no projeto sem filtros — e isso fez toda a diferença.

Joguei algumas horas e teria jogado ainda mais se a Bungie permitisse que a progressão fosse mantida para o lançamento oficial. Ainda assim, o tempo foi suficiente para formar uma opinião clara: eu gostei, e gostei muito.

Algo que Marathon sempre conseguiu fazer foi me instigar por sua estética absurdamente linda e repleta de personalidade. Sério, eu amo o visual desse jogo. É, sem exagero, uma das direções de arte mais impressionantes do ano. Usando um termo bastante popular hoje em dia, especialmente entre os mais jovens, dá para dizer que Marathon tem “aura” — e não é pouca. Existe identidade em cada cenário, em cada interface e em cada escolha de cor. É um jogo que se destaca imediatamente na multidão.

Para quem não se lembra, o título estava previsto originalmente para setembro do ano passado. Em determinado momento, ficou claro que ele precisava de mais tempo para polimento visual e ajustes gerais — e foi uma decisão acertada. O refinamento é perceptível. Não apenas o visual evoluiu, como também o gameplay recebeu o cuidado característico da Bungie. A fluidez da movimentação, o peso das armas e o feedback dos disparos mostram um estúdio experiente em jogos de tiro em primeira pessoa.

Outro ponto forte são os personagens jogáveis, que funcionam como um grande diferencial, inclusive quando comparado ao seu rival direto, ARC Raiders. Cada personagem possui habilidades distintas e divertidas, o que muda significativamente a dinâmica das partidas. A cada nova escolha, a experiência se transforma. Além disso, mesmo sendo um jogo em primeira pessoa, Marathon capricha nas animações: mexendo nas armas, pegando itens ou ativando habilidades, tudo é detalhado e visualmente marcante. A Bungie claramente não economizou nesse aspecto.

Chegar ao ponto de poder afirmar hoje que Marathon é um baita jogo já representa uma vitória para a Bungie e, principalmente, para a Sony, que busca consolidar um grande sucesso no segmento de jogos como serviço. O potencial é enorme, tanto para o público casual quanto para o competitivo. O jogo demonstra bases sólidas, identidade própria e espaço para crescer com atualizações e conteúdo futuro.

Agora, resta à Bungie caprichar no lançamento e no suporte pós-estreia. Se a experiência final mantiver o nível apresentado neste teste, Marathon pode surpreender muita gente. Para mim, jogar foi ótimo — e vejo aqui um enorme potencial prestes a ser concretizado.