Completamente do nada! Ao menos foi assim que senti quando a DLC de Ghost of Yotei, “Ecos de Sekigahara”, foi anunciada. Confesso que não tinha grandes expectativas para mais conteúdo, talvez porque, apesar de ter gostado do jogo base, eu sentia que não havia mais para onde a história poderia seguir.
Bom, grande engano.
A Sucker Punch sabia que ainda havia uma história a ser contada e, digo com tranquilidade, ela me agradou mais do que a campanha principal. E, dando um pequeno spoiler do que vou dizer ao longo desta análise: eu adorei essa expansão.
Passado de Atsu
Quando começamos Ghost of Yotei, o jogo nos apresenta ao traumático passado de Atsu, que viu seus pais serem assassinados covardemente diante de seus olhos. Desde então, até o momento em que a aventura começa, tudo o que temos são conversas e relatos sobre o que nossa protagonista viveu até iniciar sua vingança contra os Seis de Yotei.
Pois bem, é justamente nesse ponto que a DLC se concentra.
Parte dos boatos que ouvimos durante a campanha principal indica que Atsu participou de uma batalha conhecida como a Guerra de Sekigahara, um conflito de grandes proporções que buscava o controle da região para que sua população pudesse se libertar de um período de escravidão.

Ao longo da história, descobrimos que Atsu nem sequer tinha um motivo propriamente pessoal para estar ali, já que não era daquela região e sua vingança estava muito distante dali. Porém, ela encontra uma razão para permanecer.
Durante sua passagem pelo exército, Atsu conhece Nagato, conhecido como “o Belo”, com quem passa bastante tempo até desenvolver um relacionamento amoroso. Por isso, ela decide lutar e ajudá-lo.
Sem entregar spoilers demais e estragar sua experiência, a DLC começa justamente a partir desse ponto. Atsu descobre que um homem está eliminando todo o clã das Víboras, liderado por Cobra, o primeiro integrante do grupo que nossa personagem mata no jogo base. Ao investigar o que está acontecendo, ela descobre que os membros do clã estão sendo caçados justamente por seu “ex”.
Rapidamente, o jogo mostra que algo aconteceu entre os dois e que o relacionamento não terminou bem. Atsu demonstra uma clara repulsa pelo personagem e sequer cogita a possibilidade de se aproximar novamente dele.
É a partir daí que tudo começa.
A nova região, dominada pelo clã, apresenta um mundo marcado pela violência e pela crueldade. É a partir dessa aliança “forçada” que descobrimos mais sobre Atsu e seu passado.
Digo com tranquilidade que a dinâmica entre os personagens e as novas informações sobre a trajetória da protagonista são muito intrigantes. Por ser um conteúdo menor e mais direto ao ponto, senti-me muito mais envolvido com a narrativa do que na história principal, que ainda conta com boas reviravoltas capazes de me manter preso até o fim.
E, diferente de algumas expansões que vemos por aí, Ecos de Sekigahara passa a sensação de que essa é uma história que realmente precisava ser contada — e foi muito bem executada.
Expansão do combate
Algo sobre o qual não tenho nenhum tipo de reclamação desde o jogo base é o gameplay. Poucos jogos de espada conseguem transmitir uma sensação tão grande de peso e realismo como Ghost of Yotei. Por isso, voltar a jogar e apertar os botões novamente foi uma verdadeira delícia.
O lado ainda mais positivo é que a Sucker Punch implementou algumas melhorias.
Agora, os inimigos são mais inteligentes, colocando armadilhas nos locais onde você poderia estar escondido, realizando flanqueamentos, sendo mais agressivos e utilizando novas formas de ataque.
O jogo também conta com uma nova classe de armas, chamada “armas masivas”. São equipamentos enormes, capazes de eliminar inimigos praticamente de forma instantânea e necessários para enfrentar determinados tipos de adversários.

A implementação dessas armas também traz uma nova árvore de habilidades, ampliando ainda mais as possibilidades de evolução durante a aventura.
Uma área divertida e LINDA!
Sopés de Ashoro, a nova área disponível na DLC, é incrível.
Sou adepto da ideia de que, em jogos de mundo aberto, às vezes menos é mais, e aqui esse conceito é implementado de maneira muito eficiente. A região, embora seja pequena, possui uma quantidade considerável de conteúdo, capaz de entreter o jogador por mais de 10 horas.

Missões secundárias, novos altares, alvos de recompensa e atividades diversas parecem muito mais divertidos aqui. Está claro que houve um cuidado maior na criação de cada uma dessas atividades, justamente porque o espaço disponível é menor.
Inclusive, existe uma missão secundária envolvendo a mãe de Cobra que é incrível e que recomendo fortemente que você faça.
E outro aspecto que, assim como o combate, é quase chover no molhado quando falamos de Ghost of Yotei: os cenários são simplesmente deslumbrantes.
É impressionante como esse jogo consegue ser bonito. E não estou falando apenas dos gráficos, mas de toda a direção artística. A identidade visual é única e deixa nítido o cuidado colocado em cada elemento do mundo, fazendo com que tudo pareça espetacular.
O modo foto, pelo menos comigo, foi usado até o extremo.
E muito mais
A edição completa de Ghost of Yotei ainda conta com outros conteúdos, como um novo modo chamado “Mais Procurados”, que funciona como uma espécie de modo de ondas, no qual você precisa derrotar grupos de inimigos até chegar ao líder daquela rodada.

O modo possui uma progressão de personagem própria. Ou seja, será necessário comprar habilidades, aumentar sua vida e evoluir outros atributos para conseguir avançar.
Confesso que não joguei tanto quanto gostaria desse modo, mas sua inclusão é bem-vinda, principalmente para quem gosta do gameplay do jogo. Afinal, é mais conteúdo para aproveitar.
A versão também conta com novas missões, habilidades, conteúdo para o modo Lendas, além de um modo livre para que o jogador possa explorar o mundo à vontade e outros conteúdos adicionais.
Precisa melhorar
Algo que ainda me incomoda no jogo como um todo é que, se Ghost of Yotei impressiona na construção do mundo e no design das roupas, ele deixa a desejar na modelagem e, principalmente, nas expressões faciais dos personagens.
Mesmo Atsu não possui expressões faciais completamente convincentes e, em muitos momentos, elas acabam sendo confusas. Em situações de emoções mais intensas, como raiva ou tristeza, a expressão apresentada na tela nem sempre corresponde ao que a personagem deveria estar sentindo naquele momento.
Quando levamos isso para os personagens secundários, o problema fica ainda mais evidente. As expressões são quase inexistentes em alguns casos e, ao meu ver, isso faz com que determinados momentos não tenham o impacto que poderiam ter.
Vale a pena?
Eu não esperava mais conteúdo para Ghost of Yotei e, para ser sincero, nem sabia que queria. Porém, depois de jogar, fico feliz com a inclusão de novos conteúdos e, após concluir a DLC, confesso que minha impressão sobre o jogo ficou ainda mais positiva.

“Ecos de Sekigahara” apresenta uma história intrigante, enquanto a nova região e os conteúdos adicionados são excelentes e, em alguns momentos, chegam a superar o que encontramos na versão base.
Se você ama Ghost of Yotei, o conteúdo é praticamente obrigatório. Tenho certeza de que você irá se divertir.

- História mais envolvente e direta;
- Combate ainda mais refinado;
- Nova região linda e cheia de conteúdo.
Ghost of Yotei (Ecos de Sekigahara) já está disponível para PlayStation 5.
Este review só foi possível graças ao envio de uma chave de acesso fornecida pela assessoria, a quem agradecemos pela oportunidade.