Desde que a Sega anunciou que iria reviver algumas de suas franquias esquecidas — entre elas Shinobi — minha atenção já foi automaticamente canalizada para o projeto. O que começou como apenas curiosidade se transformou em um dos meus maiores hypes recentes. Isso porque a gigante japonesa revelou que o jogo seria feito pela Guard Crush, o mesmo estúdio responsável pelos visuais de Streets of Rage 4, facilmente um dos melhores e mais bonitos jogos do PS4 e Xbox One.
No State of Play da PlayStation, em fevereiro, Shinobi: Art of Vengeance foi oficialmente revelado, com trechos de gameplay e data de lançamento. E eu posso dizer com tranquilidade: “já sabia”. Bastava assistir alguns segundos para notar a arte impecável e um gameplay promissor. Afinal, qualquer um que jogou Streets of Rage 4 já esperava qualidade.
Mas aí vem a grande questão: será que é bom mesmo?
Uma história padrão de ninja
No controle de Joe Musashi, a trama começa quando o clã do protagonista é atacado e destruído por uma força misteriosa, capaz de transformar tudo em pedra. Diante disso, Joe jura vingança e parte em busca dos algozes para honrar seus irmãos de clã.
Ao ler isso, você provavelmente pensou em dezenas de outras obras. E é verdade: Shinobi não tenta reinventar a roda na narrativa. A história é simples, estilizada e até tenta trazer algum drama, mas dificilmente você vai se importar profundamente com ela.
Apesar disso, é fácil compreender: a narrativa está lá porque precisa estar, mas isso não diminui em nada o enorme mérito do jogo em praticamente todos os outros aspectos.
Uma pintura em movimento
Se você nunca viu nada do jogo, recomendo que busque algumas imagens no Google ou no site oficial. Em poucos segundos, entenderá por que digo que este é, tranquilamente, um dos jogos mais bonitos da geração.

Muita gente ainda associa “beleza gráfica” a realismo, mas a Guard Crush mostra justamente o contrário: estilo visual é o que dá identidade. É impressionante como um estúdio relativamente pequeno consegue evoluir tanto a cada projeto, mesmo com recursos limitados.
O design das fases, dos personagens, dos menus — tudo é refinado. Em uma indústria saturada por assets reaproveitados e aquela estética genérica de Unreal Engine, Shinobi brilha com personalidade. Em diversos momentos, você se pega apenas contemplando a tela, tentando entender como conseguiram criar algo tão belo.
Uma delícia nas mãos
Se o The Game Awards tivesse uma categoria de melhor gameplay, Shinobi certamente seria indicado. O combate aqui faz parecer que o de Streets of Rage 4 — já fenomenal — era apenas um experimento inicial.
Desde o primeiro botão apertado, você sente que está diante de algo especial. Agilidade, fluidez e impacto: tudo o que você espera de controlar um ninja está presente.

As lutas são rápidas, mas nunca caóticas a ponto de perder clareza. Cada golpe é visível, sentido, e exige atenção, já que os inimigos são variados e pedem estratégias diferentes. Mesmo alguém como eu, que nunca foi bom em criar ou executar combos, se viu improvisando sequências que entregam um prazer raríssimo na indústria.
O jogo ainda surpreende ao longo da jornada, sempre apresentando novas habilidades que ampliam as possibilidades de abordagem — todas úteis e divertidas. Com esse sistema de combate, a Guard Crush eleva o patamar dos jogos de ação 2D, provando que limitação de perspectiva não significa limitação criativa.

Pequenos tropeços
Minha experiência no PlayStation 5 foi majoritariamente ótima: sem crashes nem bugs graves. No entanto, em momentos de muita ação na tela, o jogo apresentava travadinhas rápidas, como se precisasse de um segundo extra para carregar tudo. Estranho, considerando o hardware, mas algo facilmente corrigível com atualizações.
Outro detalhe foi a precisão em alguns trechos de plataforma. Na maior parte, funciona muito bem, mas em situações pontuais, um salto que deveria alcançar certa distância parecia falhar sem explicação clara. De novo, nada grave, mas algo que pode (e deve) ser refinado.
Vale a pena?
Sim. Vá jogar agora.
Brincadeiras à parte, recomendo este jogo sem hesitar para qualquer pessoa que ama videogames. Mesmo com alguns momentos que podem exigir mais paciência e habilidade, não há nada aqui que se torne um impeditivo real.

Shinobi: Art of Vengeance é videogame em estado puro — a mistura perfeita de nostalgia e modernidade. A Guard Crush comprova, mais uma vez, que é possível criar experiências grandiosas mesmo com limitações de gênero ou orçamento.
Se você ama videogames, Shinobi é para você.

Shinobi: Art of Vengeance já está disponível para PlayStation 4 e 5, Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC.
Este review só foi possível graças ao envio de uma chave de acesso fornecida pela assessoria, a quem agradecemos pela oportunidade.